Quente, plano e lotado!

Em Maio deste ano aconteceu o BookExpo America 2008, um evento onde editoras, escritores e profissionais do mundo editorial se encontram e expõe casos de sucesso, comentam sobre lançamentos e por aí vai.

Hot, flat and crowded

Hot, flat and crowded

Nessa ocasião, Thomas Friedman, colunista do New York times,  fez uma apresentação sobre seu novo livro, que será lançado em Setembro: “Hot, flat and crowded”, neste trabalho ele irá discutir sobre como o aquecimento global, o acelerado crescimento populacional e a expansão da classe média no mundo, afeta e põe em risco a vida na Terra. Você pode assistir ao vídeo neste link.

Friedman ganhou a fama com o best-seller “O mundo é plano” (The world is flat), no qual ele define o termo Globalização 3.0, onde o principal agente de mudança são as pessoas que podem interagir entre si em tempo real de qualquer lugar do mundo. A Globalização 1.0 teria como protagonista os governantes, e a 2.0 as multinacionais. É um livro muito interessante, mas sofreu críticas por ter um ponto de vista muito “americano”.

Ao assistir o vídeo você irá perceber que dessa vez o livro é declaradamente direcionado para o povo americano, começando pelo subtítulo do livro: “Por que precisamos de uma revolução verde — e como isso pode renovar a América”. Apesar dele se expressar muito bem, e definir suas idéias com muita clareza, quase como um vendedor, há vários pontos que me incomodaram, citarei dois que no meu ponto de vista são mais relevantes.

O primeiro é quando Friedman diz que os EUA precisam liderar uma revolução verde mundial, e esta é a única maneira para evitar um futuro desastre ecológico. Acredito sim, que é essencial a adesão dos EUA em movimentos ambientalistas para que estes tenham sucesso em preservar o meio-ambiente e os recursos naturais que nos restam. Mas isso é algo que já teve início em Estocolmo (1972), ganhou força e projeção na Eco-92 e tornou-se um compromisso com o protocolo de Quioto (1997), o qual o presidente dos EUA negou-se a ratificar.

Ahhhhhhh

Ahhhhhhh

O segundo ponto é que os comentários dele a respeito do encontro entre os elementos que deixam o mundo hot, flat and crowded, me soam como uma releitura ainda mais apocalíptica da Teoria do economista inglês Thomas Malthus, onde dizia que a população crescia em uma progressão geométrica enquanto o suprimento de economia numa progressão aritimética.

Enfim, acho muito importante a discussão sobre o tema porém a posição de Friedman com relação aos EUA salvando o mundo da destruição total, no mínimo ingênua. Assim como os últimos fenômenos que vemos explodindo pela internet, todos baseado em User-generated content (conteúdo gerado pelo usuário), a solução para a revolução verde virá através de uma intensa colaboração, e não de um país bradando lemas apontando caminho para a vitória.

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